Um levantamento feito pelo RJ2 mostra que, desde o início do ano, 11 pessoas morreramno Grande Rio vítimas de balas perdidas. Dados do Instituto Fogo Cruzado apontam que outras 17 pessoas ficaram feridas pelos disparos.
Veja quem são os mortos:
- Fernando Oliveira de Lima, de 65 anos;
- João Vitor Mendes Araújo, de 20 anos;
- Antônio Alves da Costa, de 76 anos;
- Daniel Vitório do Nascimento Moreira, de 21 anos;
- Nicole Moraes da Silva, de 12 anos;
- Cauã Francisco Alves da Cruz, de 16 anos;
- Carlos André Vasconcelos, de 35 anos;
- Geraldo Carlos dos Reis, de 67 anos;
- Antonio Julio Claudio, de 53 anos;
- Ryan Muniz de Oliveira, de 21 anos;
- Rosilda da Silva Santos de Araújo, de 47 anos.
Alguns dos feridos:
- Mulher baleada de raspão na Vila Kennedy;
- Claudia Moraes, de 42 anos;
- Oito pessoas no Alemão;
- Mirella Pinho Francisconi, de 2 anos;
- Jovem de 22 anos na Comunidade Morar Carioca.
Na linha de fogo
O primeiro caso aconteceu no dia 1º de janeiro, no Corte 8, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Fernando Oliveira de Lima, de 65 anos, passava pela rua quando foi atingido por um tiro na cabeça. A Polícia Militar disse que criminosos atiraram contra as viaturas e que os policiais não revidaram.
No dia 8, João Vitor Mendes Araújo, de 20 anos, morreu ao ser atingido no peito enquanto conversava com amigos na Vila Kennedy.Segundo a polícia, o alvo dos bandidos era um traficante, que também morreu no local. No mesmo dia, uma mulher foi baleada de raspão e levada para o Hospital do Andaraí.
Também no dia 8, Antônio Alves da Costa, de 76 anos, levou um tiro durante um confronto no Engenho Novo.
No dia 11, PMs e bandidos trocavam tiros no Complexo da Pedreira, quando o funcionário terceirizado da concessionária Águas do Rio, Daniel Vitório Nascimento Moreira, foi atingido por um tiro e morreu.
No dia 16, durante um confronto entre bandidos e PMs na comunidade Buraco Quente, em São João de Meriti, mãe e filha foram atingidas por tiros quando saíram para comprar refrigerante.
Nicole Moraes da Silva, de 12 anos, morreu. Claudia Moraes, de 42, levou um tiro na perna, foi socorrida e teve alta.
Cauã Francisco Alves da Cruz, de 16 anos, baleado no dia 21, morreu nesta segunda-feira (27).
Ele levou um tiro de fuzil no ombro enquanto trabalhava como entregador de farmácia, na Comunidade do Rasta, em Caxias. A polícia afirma que foi recebida a tiros por traficantes da favela.
Ação no Alemão deixou mortos e feridos
Uma operação nos Complexos do Alemão e da Penha, na última sexta-feira (24), deixou inocentes mortos e feridos.
O jardineiro Carlos André Vasconcelos, de 35 anos, morreu ao ser baleado nas costas. Ele estava com copo de café na mão ao lado da estação do BRT.
Além dele, também morreram Geraldo Carlos dos Reis, de 67 anos, que levou um tiro na barriga, e Antonio Julio Claudio, de 53 anos.
Criança baleada na cabeça
No domingo (26), a menina Mirella Pinho Francisconi, de 2 anos, voltava da praia com a família quando foi atingida na cabeça. Ela dormia no colo da mãe. As imagens de câmeras de segurança mostram o desespero da famíliapedindo socorro a um taxista.
Segundo a polícia, criminosos em um carro e uma moto tentaram assaltar um carro de luxo. Houve troca de tiros, e um dos disparos atingiu Mirella. Ela permanece internada em coma induzido no Hospital Souza Aguiar.
Na madrugada desta segunda-feira (27), a auxiliar de serviços gerais Rosilda da Silva Santos de Araújo, de 47 anos, foi morta por uma bala perdida na Favela do Dique.
Ela estava em casa com o marido e a filha de 13 anos. Por volta das 2 horas, Rosilda se levantou para ir ao banheiro e ouviu barulhos de tiros. Ela se aproximou da janela para ver o que estava acontecendo e foi atingida na cabeça por um disparo.
Nesta terça (28), um morador da comunidade Morar Carioca, em Triagem, foi baleado durante um tiroteio entre policiais e traficantes.
Os tiros começaram após um delegado se perder na comunidade. Ele pediu apoio para colegas da Polícia Civil, que entraram em confronto com bandidos. O delegado não se feriu.
Já o morador foi levado para o Hospital Getúlio Vargas. Não há informações sobre o estado de saúde dele.
Um levantamento do Instituto Fogo Cruzado aponta que outras 17 pessoas ficaram feridas também pelas chamadas balas perdidas — aquele disparo que não se sabe ao certo de onde vem, de autor desconhecido e que atinge pessoas inocentes, em qualquer lugar.
“Na maioria das vezes, esses episódios de balas perdidas acontecem em bairros prodominantemente negros, bairros predominantemente podres, de pessoas periféricas, que acabam estando mais suscetíveis a serem atingidas nesse episódios porque é onde, seja o Estado ou sejam os grupos criminosos, mais atuam de forma indiscriminada”, diz o coordenador regional do Instituto Fogo Cruzado no Rio de Janeiro, Carlos Nhanga.